ANDRÉ NAMITALA

Multitask, boa-praça e afinado.

 
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Qual é o som de um repertório que junta fotografia, arquitetura, hotelaria e design?

FOTO: Henrique Schmeil


texto: Rafaela mercaldo


O sociólogo italiano Domenico de Masi, estudioso das relações sociais e do trabalho, aposta que, daqui uns anos, vamos acumular duas ou três profissões em áreas bem distintas. Para o curitibano André Nacli essa não é uma previsão do futuro, mas sim a descrição de seu presente. Formado em Administração com MBA na renomada instituição francesa INSEAD, ele é um verdadeiro exemplo da geração multitask. À frente dos negócios da família no hotel-design Nomaa, acaba de debutar oficialmente em sua mais nova atividade, a de artista visual.

Encontramos André ainda na euforia do dia seguinte à sua primeira vernissage. Ele fez questão de nos receber em sua casa, sem cerimônia, comprovando o sujeito boa-praça que é. Fernanda, sua esposa, e Bento, o galgo italiano espivetado, fizeram companhia.

No apartamento ensolarado, as referências ajudam a mapear o casal interessante que ali habita. Sobre a coffee table, livros de arte, arquitetura e história – Sebastião Salgado, Andreas Gursky, Isay Weinfeld e volumes generosos da Taschen. Móveis com assinatura, miniaturas de Sergio Rodrigues, uma pequena coleção de animais cinéticos de Palatnik e uma profusão de arte contemporânea se mesclam aos objetos garimpados em viagens exóticas e flores naturais arrumadas em vasos da Holaria. Cosmopolitas sim, mas zero afetação.

Quando começou a consolidar a carreira de artista visual?

Estou gestando há uns dez anos este projeto de ser um artista para fora do meu âmbito privativo. Mas de um ano para cá as coisas começaram a andar de maneira rápida. As pessoas começaram a ver meu trabalho nas paredes do Nomaa, fazendo sentindo em vários espaços, como arte.

Quem deu o primeiro empurrão?

O Guilherme e a Laura Simões de Assis, da SIM Galeria. Passei por uma incubadora, com eles me guiando e me apresentando para pessoas certas, que me ajudaram a fazer projetos para editais, no caso a produtora Rafaela Tasca. Culminou na exposição de ontem (“Pós-poste” no Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, curada pelo respeitado Eder Chiodetto), mas passou pela leitura de portfólio no Itaú Cultural e tem uma outra exposição para sair. No Itaú, fui escolhido para expor meus trabalhos atuais e novos caminhos a oito curadores nacionais internacionais.

Por que a arquitetura é tão presente nos seus interesses?

Depois de Administração, comecei a faculdade de Geografia e troquei para Arquitetura, mas não cheguei a me formar. Mas a história da arquitetura é muito presente na minha vida. Foi fundamental para meu trabalho artístico. Minha mulher, Fernanda Cassou, é arquiteta. 

Sua exposição traz registros dos antigos postes de madeira usados pela companhia de luz. Como definiu este tema?

“Pós-poste” tem uma relação legal com a cidade que eu amo, que me motivou a começar isso tudo. É bom poder revelar uma história que é única e um tanto escondida. Minha pesquisa é sempre este embate entre a cultura, o que o homem faz, o que ele constrói versus a natureza. Nas próximas séries quero explorar mais este viés do que a historia de uma cidade específica.

O que motivou a construção do primeiro hotel-design de Curitiba?

Sempre tive vontade de ter minha própria ação na cidade, por ser apaixonado por ela. Quando se cria um prédio com muros nos quatro lados, viram-se as costas para a urbe. Em conjunto com uma consultoria, surgiu o Nomaa num terreno muito especial da minha família. A gente pensou nesse hotel como sendo um presente para a cidade. Algo para tocar, tanto em termos de gastronomia, arte, design, quanto na própria exposição da capital para o mundo.

Você foi vocalista numa banda e cantou “Can’t take my eyes of you” no palco do seu casamento. Como foi essa história de amor?

Eu e a Fernanda nos conhecemos na pré-escola, mas só fomos nos rever nos corredores da faculdade de arquitetura. Numa viagem a Punta del Este saíram algumas faíscas e aí já se vão dez anos. 

 
 
Sempre tive vontade de ter minha própria ação na cidade, por ser apaixonado por ela. Quando se cria um prédio com muros nos quatro lados, viram-se as costas para a urbe
— André Nacli
 
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Um som: Bob Marley
Hobby: tocar violão
Experiência marcante: Nepal, sozinho
Próxima viagem: hoje, para fotografar no Peru
Comida: estou na fase do polvo
Mantra: faça uma tarefa por vez
Sonho ter: uma obra do Artur Lescher
Insight: ninguém é artista sozinho

 

PARCERIAS AFINADAS

Além de ser uma das arquitetas mais sofisticadas de sua geração, a esposa de André, Fernanda Cassou Nacli também é uma das sócias do e-commerce Gallerist. Um outro casal que une moda, design e negócios está por vir na próxima rodada de entrevistas. Fique ligado e acompanhe. Próxima conexão: Rio de Janeiro, aí vamos nós!