FAFÁ GRECA

Couch surfing, 31 carimbos no passaporte
e histórias inacreditáveis

 

 

 

 

 
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"It's not about the destination, it's about the journey"

TEXTO: RAFAELA MERCALDO
 

FOTO: MANA GOLLO


 


 “Oh, yeah!” A batida upbeat e a voz grave do hit dos anos 80 ecoaram no fundo da minha cabeça assim que comecei a conversar com Fabrício Greca, ou melhor, o Fafá. Estava diante de um cara engraçado, sagaz, cheio de entusiasmo para aproveitar a vida num ritmo adoidado. Um Ferris Bueller da geração atual. Pedi um shot de café e me animei com o rumo da entrevista. Oh, yeah!

Diferentemente do filme clássico de John Hughes, o protagonista aqui não quer apenas um dia para matar aula e dar um rolê com os amigos. Por trás dos óculos de grau redondos – que cheguei a testar por preciosismo jornalístico – tem alguém verdadeiramente curioso pelo mundo e pelas pessoas.

Aos 23 anos, Fafá já se jogou em muito couch surfing e nessa conheceu 31 países. Hoje é redator em um site de viagens e se prepara para lançar um canal no YouTube, onde vai dividir suas histórias bizarras e hilárias. Algumas delas tão surreais quanto um roteiro de cinema.

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O que você está estudando?

Fiz vestibular para Engenharia Civil, larguei na metade do terceiro ano e fui morar um ano fora. Na volta fiz seis meses de Cinema. Voltei para a Engenharia, desta vez de Produção. Estou no sexto período. Agora preciso terminar. 

 

Como foi este ano morando fora do Brasil? 

Foi life changing. Tinha um apartamento de estudante em Estrasburgo, na França, fronteira com Alemanha. Comecei a viajar, ter novas experiências e só pensava: “quero viajar mais”. Fazia couch surfing, pegava carona, sempre low cost. Nunca fiquei em hotel. Queria era conhecer gente, ficar na casa das pessoas ou em hostel de no máximo 30 euros. Economizava tudo para poder viajar.

 

Quais as vantagens de se jogar no mundo sozinho?

Viajar sozinho é muito bom porque você se conhece de verdade, entende sua zona de conforto, se força a conhecer gente. O europeu está mais acostumado com o intercâmbio de culturas. Quero voltar a morar na Europa.

 

Você registrou a jornada de alguma maneira?

Fiz diários. Gosto de desenhar. Em cada lugar fiz um desenho do que me representava. Comi o melhor kebab da minha vida num botequinho em Istambul. Derrubei um pouco de molho na folha e ficou o cheiro até hoje. Às vezes abro o diário e a memória está lá. É sensacional. Pedia para que todas as pessoas que conhecia, de diferentes nacionalidades, escrevessem a maior palavra da sua língua e deixassem um recado. E no passaporte, mesmo onde não tinha imigração, fiz questão de pegar o carimbo. 

 

Esses diários são muito especiais. Como os escolheu?

Caí numa exposição do artista Alfredo Jaar no museu na Finlândia e fui descobrir que é o pai do Nicolas Jaar, um DJ de quem eu gosto. Na loja de souvenirs tinha um diário de uma marca tcheca escrito “Make your life better than a movie” e na primeira página “Sometimes the journey is the destination”. Eu já tinha uma tatuagem com a frase que ouvi de um amigo australiano: “It’s not about the destination, it’s about the journey”. Foi um insight. Era o diário da minha vida.

 

Você sente que tem uma conexão sempre a seu favor?

Na Noruega, me confundi na parada do trem, pedi carona na chuva e quase perdi meu voo para a Islândia. Chegando ao aeroporto me dei conta de que tinha deixado minha mochila. Dinheiro e passaporte estavam comigo, mas o diário não. Mandei um e-mail para a companhia de trem, que o localizou. Mas eu não voltaria mais para lá. Lembrei de cabeça o celular de um amigo que estava fazendo uma eurotrip. Mandei um WhatsApp perguntando onde ele estava e na hora ele respondeu: “Estou em Oslo”. Cinco minutos depois ele me mandou uma foto na Central Station com a minha mochila em mãos. Nos encontramos em Amsterdam e foi um alívio. Nunca vou ter uma cópia desse diário. Nunca vou fazer a mesma viagem de novo.

 

Então se considera um cara de sorte?

Muito. Em Paris quis ver o nascer do sol na Torre Eiffel, mas não aguentei e dormi no banco. Acordei com duas meninas me cobrindo com um casaco. Elas eram da Bratislava e não acreditaram que eu já tinha ido para lá. Ficamos superamigos. Nessa mesma noite perdi meu passaporte italiano e semanas depois meu amigo ligou avisando que tinha achado no bolso de um casaco que deixei na balada. 

 

Você não planeja muito as coisas, mas sente que tudo dá certo no final?

Peguei um carro e fui conhecer o sul da França sem roteiro. Foi uma das viagens mais legais. Já dormi em carro, em estação de trem, estação de ônibus. Não me importo com o perrengue, mas sim com a experiência.

 

Quais foram as experiências mais surreais?

Recitei Mamonas Assassinas num concurso de poesia na Lituânia. Na França, entrei numa festa de nudismo. Totalmente uma festa normal com pessoas peladas.

 

O que você descobriu que pode viver tranquilamente sem?

Carro e TV.

 

Depois de cruzar tantas culturas, quais foram seus maiores aprendizados?

Nunca julgue ninguém. Nunca se desvalorize. Nunca largue um momento.

 

O que é a Adoro Viajar? O que você faz lá?

É um e-commerce de viagens e experiências. Produzo conteúdo e ajudo nas pesquisas.

 

Quais destinos você sonha conhecer?

Nepal, Califórnia, Austrália e Japão.

 

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Já dormi em carro, em estação de trem, estação de ônibus.
Não me importo com o perrengue, mas sim com a experiência.
— FAFÁ GRECA
 
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FALA, FÁ!

Lugar preferido no mundo é… Paris.

Uma viagem perfeita tem que ter… meus amigos.

A coisa mais bad vibe numa viagem foi… estar na Itália e ver o Brasil perder de 7x1.

Sozinho ou em turma? Depende!

Sossego ou festa? Festa.

Cultura ou natureza? Cultura.

Com mapa ou sem rumo? Sem rumo, óbvio.

Despacha ou mala de mão? Mala de mão. 

Escrever ou desenhar? Desenhar.

Redes sociais são para… postar fotos engraçadas.

No Spotify toca… Kevin Johansen, Cumbiera Intelectual.

Minha próxima trip será… Punta del Diablo.

Daqui 5 anos me vejo… morando na Europa.

Se puder mudar algo no mundo quero… que as pessoas possam viajar mais

 

 
 
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