GUILHERME E LAURA SIMÕES DE ASSIS

XXXX.

 

 

 

 

 
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Um dos laços mais fortes de afeto, mãe e filha unidas pela vocação criativa.

FOTO: MANA GOLLO


texto: MARIA FLORES


Lenny Niemeyer fez e faz história na moda brasileira desde que decidiu se lançar no mercado, na década de 80, e reinventar a moda praia por meio de técnicas, matérias-primas e olhos requintados. Isabel Niemeyer é a jovem artista que desponta na cena atual com fotografias sensíveis reveladas sob técnicas não convencionais. Em entrevista exclusiva para Brands and Friends, elas são Lenny e Bel, mãe e filha, o retrato da simpatia e da bossa cariocas.

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Apostar em moda praia quando não existiam nem lojas especializadas foi um plano de negócios ou pura ousadia empreendedora? 

Lenny: Foram o acaso e o destino. Comecei a fazer biquínis para amigas paulistas (mesmo tendo se tornado uma embaixadora do lifestyle carioca, Lenny é natural de Santos). Em seguida eles estavam sendo vendidos entre elas e aos poucos fui sendo cada vez mais procurada. Num certo momento, considerei aquele meu novo business e fui atrás de marcas femininas como Fiorucci, Daslu e Krishna para oferecer minhas criações.  

 

Quais são suas memórias mais marcantes de infância acompanhando a rotina de trabalho na Lenny?

Bel: Desde pequena acompanho o trabalho da minha mãe, e sem dúvida isso foi muito inspirador e marcante para minha vida profissional. Trabalhei e acompanhei muito de perto o trabalho dela em coleções, desfiles e campanhas, e o que mais me marcou foi ver como uma ideia se transforma, depois de muito trabalho, numa coleção completa. 

 

Nos primeiros anos de empresa, um alagamento destruiu toda a produção e um assalto a deixou sem maquinário. Hoje são 19 lojas próprias, presença em 180 multimarcas e exportação para grandes mercados. Ao que atribui o sucesso da marca Lenny?

Lenny: Sempre ter sido muito fiel ao produto que faço e ter perseverança. Acredito que uma marca se constrói desta maneira.

 

Quais elementos são as grandes características do seu design?

Lenny: Acredito que seja a modelagem que valoriza o corpo da mulher, o conforto e a estamparia. Sempre explorei meu trabalho com base em estampas diferenciadas e exclusivas. A mulher que veste Lenny Niemeyer é exigente.

 

Em suas palavras, “carregar a Tocha Olímpica talvez seja a maior emoção pela qual já passei na minha vida”. Como veio o convite e quais foram os desafios para elaborar os uniformes da comissão brasileira?

Lenny: Veio através do Paulo Borges, que criou um concurso entre alguns estilistas. Participei e para a minha felicidade e surpresa fui escolhida. O maior desafio foi criar uniformes para os diferentes padrões de corpos dos atletas. Alguns com 1,40 m de altura e outros com mais de 2 m.

 

Outra colaboração recente foi com o Hotel Best Western Barra. Em quais elementos apostou para expressar seu DNA num projeto de décor?

Lenny: Quis imprimir o lifestyle do Rio. Propus espaços clean, aconchegantes, ensolarados, com entrada de luz natural, madeira. Acho que ficou a cara do Rio.   

 

Seu bom gosto como anfitriã é notório e já virou livro – A Arte de Receber –, da jornalista Marcia Disitzer. O que não pode faltar numa boa festa?

Lenny: Um bom mix de convidados e boa música.

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Bel nasceu uma artista. Sempre foi muito curiosa e interessada nas artes. Tenho muito orgulho dela e do resultado de seu trabalho
— Lenny
 
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Quando a fotografia surgiu na sua história?

Bel: Sempre alternei com muitas viagens as rotinas do trabalho com a minha mãe. Morei em lugares como Paris, Nova York e Portugal. Passava dias e dias inteiros com a câmera na mão fotografando tudo que via pela frente. 

Lenny: Bel nasceu uma artista. Sempre foi muito curiosa e interessada nas artes. Acho que está dentro dela. Tenho muito orgulho dela e do resultado de seu trabalho.

 

Criada em meio aos rolos de tecido e formada em produção de moda, foi natural começar a carreira pelo universo fashion. Como foram seus primeiros jobs?

Bel: O Instreet Closet era um site de uma amiga chamada Vanessa Jospin, que me convidou para ser sua sócia. Juntas começamos a criar editoriais com nossas próprias roupas, em que eu fotografava e contávamos diferentes histórias. Tínhamos uma criatividade sem limites. Depois de um ano evoluímos junto com o site, conseguimos muitos seguidores, colamos adesivos do site pela Europa inteira, e foi uma grande experiência. Logo começamos a trabalhar com diferentes marcas. 

 

Como deslanchou em seguida para as artes visuais?

Bel: Uma das experiências mais incríveis que tive foi a residência com Eustáquio Neves, pioneiro da revelação alternativa. Fiquei uma semana no interior de Minas aprendendo a revelar fotos num quarto escuro, usando diferentes técnicas, aprendendo passo a passo a revelar manualmente, a misturar e fazer intervenções, utilizando diferentes materiais e técnicas, transformando a foto quase que num quadro. Ele me ensinou o respeito com que se deve tratar a fotografia para fazer um trabalho com alma e sensibilidade.

 

Quais equipamentos utiliza para clicar?

Bel: Uso uma câmera digital Canon 5D  com várias lentes diferentes, mas não dispenso minha câmera analógica. Gosto muito de intervenções artísticas, no computador ou manualmente. Arrisco pintar alguns quadros, mas no momento tenho usado a pintura para fazer intervenções nas minhas fotos.

 

Onde podemos ver seus trabalhos?

Bel: Fiz algumas exposições no Brasil e hoje sou representada pela galeria Toulouse. Atualmente, estou com a mostra A cor da Ausência, na Q.Guai, no Rio, sobre a relação da mulher com a natureza. Já participei de algumas exposições coletivas, na Itália e duas em Londres. 

 

 

 
 
Desde pequena acompanho o trabalho da minha mãe e sem dúvida isso foi muito inspirador e marcante para minha vida profissional
— Bel
 
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Como é Bel Niemeyer em três palavras?

Lenny: Inteligente, carinhosa e sensível.

 

Como é Lenny Niemeyer em três palavras?

Bel: Uma mulher forte, artista e que ama a vida.

 
 
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