GUTO LIMA

Mente a serviço da intuição.

 
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“Se você escrever Luis Gustavo, ninguém vai saber quem é”, ele interrompe quando peço para soletrar a grafia correta de sua identidade.

FOTO: Thásya barbosa


texto: fernanda pandolfi


O designer gráfico é daquelas pessoas que o nome registrado em cartório não dá conta de transmitir todo o afeto embutido na personalidade. Guto faz mais jus. Guto de Lima para o mundo corporativo, onde o curitibano ganhou visibilidade quando entrou como sócio no Nex Coworking, espaço colaborativo que reúne pessoas que não necessariamente trabalham para a mesma empresa, mas dividem o mesmo ambiente.

- O Nex não deixa de ser uma tribo, que tem várias lições de co-existência e de respeito mútuo e à natureza – resume.

A comparação surge por conta do momento de transição que Guto vive aos 38 anos. Foram 20 dias imerso na Floresta Amazônica em contato com os índios Huni Kuin. Parece pouco para um período sabático. Mas o suficiente para que Guto se tornasse um representante da tribo diante dos brancos e voltasse às origens por trás do empresário: a de artista e fotógrafo. Mirou a câmera, ajustou a lente e desenvolveu o projeto Eu e Nós, em que os registros da temporada viraram retratos sensíveis que têm 50% dos lucros com as vendas revertidos para a Aldeia São Joaquim, no Rio Jordão:

- A viagem foi muito importante no meu processo de amadurecimento. O que eu vivi lá acabou impactando aqui. Se tem um equívoco que a sociedade ocidental comete é o de entender que a natureza é uma coisa e nós outra. Somos o mesmo. Acabei entrando em um ritmo mais natural e respeitoso com as minhas necessidades e intuições. Voltei mais sintonizado com o meu corpo, com a minha saúde e venho tentando, aos poucos – pois é um processo sem fim -, conectar-me de forma mais direta e verdadeira com as pessoas – sintetiza.

 

A convivência indígena diária ensinou Guto a comer, descansar, cuidar da saúde e até conversar diferente. Como não, então, a pensar de outra maneira? Tanto é que deixou fluir um novo hobby: fazer o que aparecer. É isso mesmo. Aceitar um convite inusitado, não ter agenda no dia e permitir que o embalo leve:

- A gente precisa colocar a mente a serviço da nossa intuição, que é a força capaz de mostrar os novos caminhos e criar um verdadeiro desenvolvimento positivo. A razão deve se comportar como um suporte para as decisões que vêm do coração.

Sendo assim, as próprias metas mudaram de rota. Não desviaram de percurso, pois Guto não acredita que exista uma lei de como tudo deveria ser. Apenas se encaixaram com seu destino. O futuro do Nex segue sendo bem analisado por ele e seus parceiros:

- Acho que, aos poucos, o que nós entendemos hoje por trabalho e lazer acabará se fundindo. Assim como acredito que a conexão online vai ser cada vez mais presente, natural e sutilmente sobreposta à nossa realidade offline. Vai chegar um momento que nem vamos mais perceber o que é estar conectado ou não. Passará a ser uma condição quase que natural do ser humano. 

 

 
 
A razão deve se comportar como um suporte para as decisões que vêm do coração.
— Guto Lima
 
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E casando as duas abas que o movem atualmente – o empreendedorismo e a espiritualidade, esta segunda definida por ele como o “grande tema” do seu amanhã – finaliza:

- No final do dia, o que vai realmente importar é de que maneira nós utilizamos as nossas dimensões. Produzir para quê? Interagir para quê? Conectar para quê?