MARI CASSOU

MODA, MATERNIDADE, VIAGENS E MUITA INSPIRAÇÃO.

 

 

 

 

 
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Gallerist: bom gosto em família e curadoria certeira!

FOTO: MANA GOLLO


texto: EMANUELA PINHO


Em abril de 2012, a revista americana Fast Business, especializada em negócios, tecnologia, informação e design publicou um artigo declarando que “os curadores de conteúdo são os novos super heróis da web”. O motivo é conhecido de todos e muito atual mesmo cinco anos após a publicação: o volume de informações disponíveis na internet cresceu de forma espantosa a ponto de ser impossível acompanhar tudo o que é postado. As timelines ficam infinitas e o tempo cada vez mais escasso.

Para a revista, a cura é o ato de indivíduos com paixão por uma área de conteúdo para encontrar, contextualizar e organizar informações. Os curadores fornecem uma atualização consistente sobre o que de interessante, relevante e cool acontece nas áreas que dominam e tendem a ter um ponto de vista único e consistente, fornecendo um contexto confiável para o conteúdo que eles descobrem e organizam. Paixão por moda, pontos de vista singulares, talento para descobrir novas marcas e estilistas, capacidade de antecipar tendências e muito bom gosto: esse conjunto de características é próprio das irmãs Cassou. Em 2011, Amanda, Carolina, Fernanda e Mariana lançaram o Gallerist, e-commerce com artigos selecionados pela atenta curadoria das fundadoras. A união dos diferentes talentos e interesses, além de boas escolhas e gestão eficiente fizeram do projeto um business de sucesso.

Para clientes, o Gallerist é aquela amiga “que sabe tudo de moda”, traz sugestões perfeitas para o nosso guarda-roupas e ainda dá dicas de viagem, decoração, arte e gastronomia!

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Uma grande noite: no início de março, vocês foram eleitas empresárias-case de 2016 pelo Prêmio Geração Glamour. A revista celebra as mulheres que mais se destacaram em várias áreas e também reservou para vocês os 4 primeiros lugares do ranking de “10 looks mais incríveis da premiação”, com direito à legenda “sensação do mundo de fashion business”. Como esse reconhecimento todo toca vocês?

É uma grande honra receber esse reconhecimento. Ralamos muito para chegar onde chegamos e ainda temosmuito o que aprender e aperfeiçoar no nosso business. Mas um prêmio desses, em plena crise econômica, nos dá ainda mais energia para fazer o negócio acontecer! A Glamour é uma revista que amamos e nos identificamos e esse prêmio foi muito especial para nós.

 

 Desde 2011 no ar, o Gallerist acumula sucessos e é natural que esse crescimento sólido desperte no público o interesse sobre as 4 fundadoras, uma vez que a curadoria de vocês é a alma do empreendimento. De que maneira você e suas irmãs lidam com essa curiosidade pessoal?

No começo foi difícil, nossas mídias sociais eram fechadas aparecíamos menos. Mas começamos a perceber que toda vez que a gente dava as caras, as pessoas se interessavam mais pelo business, pelas roupas, pelo nosso lifestyle, queriam saber quem estava por trás do business. Vimos que o diferencial do nosso negócio era esse: as quatro irmãs! Isso trouxe credibilidade e mais confiança na hora da cliente realizar uma compra online, já que sabiam quem estava por trás da tela do computador. Aos poucos fui cedendo e abri meu Instagram. Hoje vejo que é muito importante compartilhar um pouco do nosso dia a dia com as clientes e seguidores, e já se tornou algo natural.

 

Quem acompanha o seu trabalho tem a nítida impressão de que vocês estão sempre no ápice da carreira, o que superam em seguida com outros êxitos ainda mais incríveis. Em sua opinião, o que falta conquistar? Você tem alguma ideia sobre se haverá um marco para definir o Gallerist como o melhor e-commerce do país e qual seria?

Calma, ainda precisamos conquistar muitas coisas! Mas 2017 vai ser um ano muito importante para nós, com muitos projetos em andamento. Um deles é que, finalmente, estamos lançando nossa marca própria, que se chama Framed. A primeira coleção chega nas lojas e no site na primeira semana de abril. Estamos super animadas!

 

Quando sentiram que o negócio daria certo e que exigiria dedicação exclusiva de pelo menos três de vocês? Qual foi a primeira conquista que você lembra de terem celebrado na empresa?

As coisas aconteceram tão rápido. Lançamos o Gallerist no final de 2011, somente eu e a Amanda trabalhávamos na empresa, mas a Carol e a Fer já eram nossas sócias. Em menos de 1 ano saímos em uma matéria na Veja SP, em seguida na revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios. Em outubro estávamos entre um dos melhores e-commerces de moda na revista Glamour e em dezembro veio nossa primeira matéria na Vogue. Festejamos muito quando saímos nessas matérias, nosso primeiro ano de Gallerist foi intenso, ganhamos visibilidade e crescemos muito rápido. Um passo muito importante também foi quando nos mudamos do escritório de 30m2 para um de 120m2. Me lembro com orgulho do nosso micro espaço, mas foi uma grande conquista conseguir poder mudar a empresa para um espaço maior e, dessa forma, aumentar a equipe. Nessa época a Carol, nossa irmã mais velha, largou o emprego para nos ajudar, pois nós não dávamos conta da parte administrativa da empresa.

 

É possível perceber diversos traços de inovação e vanguarda na trajetória do Gallerist, como a abertura das duas lojas físicas (e conceito omnichannel) após a consolidação da plataforma online original. Quais os seus palpites sobre o que “está por vir” principalmente em relação ao consumo de informação e conteúdo de moda? Há também alguma tendência que tenha percebido (e possa comentar!) no exterior, por exemplo, e deseja que possam implementar aqui?

Sempre sonhamos em nos tornarmos uma empresa com conceito omnichannel, mas sempre diziam que geralmente as pessoas migram do físico para o online. Com a gente foi ao contrário. Fizemos acontecer online e depois abrimos lojas onde nossas melhores clientes estão concentradas.

 

Como foi a preparação para a abertura das lojas nos Shoppings Cidade Jardim e Pátio Batel? Quais as principais diferenças que você destacaria entre os canais físicos e o digital?

As duas lojas foram lançadas na maior correria, mas eram oportunidades que surgiam e nós agarramos na hora. A nossa loja do Pátio Batel foi finalizada em tempo recorde. Abriu as portas depois de 30 dias de obra. A loja física e o site vão sempre andar de mãos dadas no nosso negócio. Um apoia o outro sempre. O site atende o Brasil todo, já as lojas atendem um círculo menor de mulheres que passam por Curitiba e São Paulo. Mas hoje vejo que o online tem mais complexidades do que o mundo físico. Apesar de abranger mais pessoas, o digital exige muito mais "trabalho" do que o físico. Envolve mais detalhes, como fotografia dos produtos, medidas e descrição, "como usar" de cada peça, envio e logística reversa, sac - atendimento ao cliente, equipe de marketing, anúncios no Google, análise de performance de mídias e muitos outros detalhes.

 

Vocês sentiram mudanças no tráfego no blog do Gallerist a partir do crescimento de outras mídias “mais rápidas” como Instagram (e Stories), Snapchat, transmissões ao vivo e etc? Qual espaço o blog ocupa hoje no “blog & shop” e como você direciona a estratégia de criação de conteúdo nos canais da marca?

Sim, o Instagram é muito forte e hoje "rouba" um pouco os acessos do blog. Mas nosso blog sempre foi um apoio ao shop, que é o protagonista. Apesar de sabermos que o Instagram recebe mais visualizações, o conteúdo do insta e do blog é sempre diferente, trazendo conteúdo novo paras nossas leitoras e clientes. O blog possui um conteúdo mais variado, com posts sobre arte, viagem, decoração, cinema, música, moda, entre outros. Já nosso Instagram fica bem focado em moda e tendências.

No mood do Dia Internacional da Mulher: quais são as mulheres que mais te inspiram? Arrisco dizer “além da sua mãe Denise”, pois é linda a forma com que falam dela nas entrevistas que concedem.

Minha mãe é um grande inspiração para nós quatro. Ela sempre amou moda e nos fez amar também. Nunca tive uma "referência" fixa, tenho um "fashion crush" em alguém, de repente já descubro outra pessoa inspiradora. Vai mudando muito! Mas gosto muito da Candela Novembre e Giovanna Battaglia.

 

O Gallerist é uma empresa que representa feminilidade com força, opinião, atitude e estilo. Há espaço para homens na estrutura da companhia? Como eles contribuem com o negócio e como você percebe a divisão de tarefas entre os cargos ocupados por homens e mulheres na administração?

Sim, claro! Apesar das mulheres representarem a grande maioria dos cargos da empresa, temos três homens na equipe. Eles estão em áreas variadas: financeiro, TI e fotografia. Não vejo diferença na divisão das tarefas, são todos iguais, homens e mulheres, cada um com sua expertise.

 

Como está sendo a experiência de criar uma menina nos dias de hoje, de empoderamento feminino e discussões até então “silenciadas”? Olivia é ainda muito pequena, mas crescerá com referências familiares muito fortes de mulheres que são “makers”. Como você espera que ela veja o mundo quando chegar aos 18 anos?

Educar é uma missão e tanto. Espero que minha filha saiba valorizar o ser e não o ter. Me preocupo um pouco com a quantidade de crianças e jovens fúteis que eu vejo hoje em dia, que tem muito e não dão o devido valor. Quero que a Olivia seja uma pessoa pé no chão. Que ela saiba respeitar as pessoas de diferentes culturas, raças e religiões. Mas quero que ela seja livre para escolher os seus caminhos.

 

Qual é o seu “uniforme” - aquela combinação de peças que você veste quase ”sem perceber” e usaria todos os dias? Há algum item no seu guarda-roupa que resista a vários “desapegos” sem que você consiga “deixar ir”?

Por muito tempo calca de couro skinny foi meu uniforme. Hoje, com a Olivia, tenho usado muito mais jeans! Jeans boyfriend bem confortável com camisa ou camiseta virou meu uniforme de mãe, que vive na correria sem tempo para montar looks (hahaha), mas prometo melhorar!

 

 
 
E fomos sem pressa, dia após dia, construindo aos poucos. E percebo que precisamos sempre ouvir nosso coração.
— MARI CASSOU
 
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Você lembra de alguma história marcante no Gallerist sobre alguma cliente ou venda especial? O que representa para você poder fazer parte da vida de tantas pessoas e como procura lidar com eventuais feedbacks negativos?

Acho que a coisa mais engraçada até hoje foi quando meus pais estavam em Porto, em Portugal, e foram comprar o bilhete de entrada de um museu. A moça da bilheteria olhou para eles e perguntou: "Vocês não são os pais das Gallerist?". Eles ficaram chocados. A menina sabia nossos nomes, sabia dos nossos filhos, amava o site. Foi muito bacana. Nunca imaginamos ser reconhecidas na Europa.

Os feedbacks negativos nos fazem melhorar. Críticas são sempre bem-vindas. Não fico chateada, não, e, ainda bem que não são constantes. Infelizmente é difícil agradar a todos. Mas procuramos sempre atender nossas clientes de forma que elas saiam satisfeitas. As clientes vem sempre em primeiro lugar e queremos escutar o que elas tem a dizer. É algo saudável que nos motiva a aprimorar o nosso trabalho.

 

Na infância, o que você e suas irmãs “queriam ser quando crescessem”?

Eu sempre gostei muito de moda, desde bem pequena. Eu mesma produzia e costurava as roupas das minhas bonecas e Barbies. Eu desenhava roupas para "vender". Sempre gostei de brincar de lojinha, de comércio. Mas nunca tive uma profissão específica que queria ser quando crescer. E acho que minhas irmãs também não. Nosso quarto de brinquedos tinha 3 portas de roupas e sapatos vintage, coisas que minha vó e minha mãe não usavam mais. Nós sempre brincamos de nos vestir, fazíamos shows, desfiles de moda. Mas apesar de adorarmos moda, éramos bem molecas, também brincávamos em ter uma banda.

 

Vocês tiveram a oportunidade de “inventar o seu trabalho” e o fizeram com excelência. O momento atual do país, com incertezas e desemprego, tirou a chance de muitos jovens de entrarem no mercado de trabalho “formal”, o que os obriga a buscar outros caminhos e empreender. O que você aprendeu com sua experiência empreendedora e acredita que possa inspirar jovens a buscar seus sonhos?

Eu tinha 22 anos quando fundamos o Gallerist. Era inexperiente e não entendia nada de comércio digital. Mas me informei, estudei e segui meu sonho. Levei muitos nãos, errei, mas aprendi muito e lançamos um negócio que chegou numa proporção que nunca imaginávamos chegar.

O que mais me deixa feliz é que no começo seguia meu instinto. Era com base nele que tomava decisões importantes. E fomos sem pressa, dia após dia, construindo aos poucos. E percebo que precisamos sempre ouvir nosso coração. Nem sempre vamos acertar, mas muitas vezes foi assim que consegui algo importante. E claro, muita dedicação e mão na massa. Nada cai do céu, precisamos correr atrás!

 

Para Costanza Pascolato, vocês são um orgulho nacional. Como estão os planos de criarem uma marca própria? Qual espaço desejam ocupar no cenário atual de grifes? Você sente que falta algo no mercado que possam oferecer às mulheres de hoje através dessa etiqueta?

Como disse no começo, estamos lançando nossa marca própria nas próximas semanas. A Framed sempre foi um sonho nosso, mas esperamos a hora certa para lançá-la no mercado. Ela irá complementar nosso mix de produtos e designers. São peças chave que faltam no nosso guarda-roupa como uma bela saia midi para compor com os tricots da Modem, uma gola alta de veludo molhado para colocar com as saias do Reinaldo Lourenço, um belo jeans boyfriend, além de modelitos mais conceituais, claro!

 

Com que critérios escolhem as marcas com que trabalham? A curadoria Gallerist tem um “método” que envolva pesquisa, análises e teste de produtos, por exemplo? Agora, a serviço das marcas que aspiram a um espaço na vitrine de vocês: é possível definir o que uma label precisa ter para chamar a atenção dos responsáveis pelas compras?

Apesar de existirem análises que seguimos na hora das escolhas, ainda existe muito do nosso gosto pessoal na curadoria. Mas é muito importante ser inovador e criar desejo! Ter personalidade e identidade própria, sem cópias e preços exorbitantes.

 

Qual a marca de que você se orgulha, especialmente, de ter “garimpado”?

A Isolda foi uma marca que garimpamos quando ela estava bem no início e por muito tempo só se encontrava no Gallerist e algumas multimarcas espalhadas pelo Brasil.

 

Definitivamente a paixão por viajar move você, Raul e agora a pequena Olivia. Recentemente você estreou uma coluna no blog Viajo com Filhos e as hashtags #oliviaroundtheworld e #oliviadujour são incríveis. Como escolhem os destinos agora que a viagem é à três e quais as próximas viagens que farão? 

Geralmente o roteiro fica por conta do Raul, com alguns palpites meus. Ele ama pesquisar hotéis, voos com preços incríveis, destinos exóticos. Nossa próxima viagem já é semana que vem, para Nova York. Em Abril vamos para o Japão, comemorar os 40 anos do Raul. E em Junho embarcamos para Madagascar e Quênia.

 

Você também colabora com a Revista L’Officiel Brasil. Por que acredita que foi convidada para isso?

A revista escolheu algumas mulheres de áreas diferentes para representar a revista e colaborar com conteúdo. No meu caso, além da moda, acho que a maternidade e as minhas viagens são temas que as leitoras se interessam.

 

Podemos esperar outros títulos escritos por você, a exemplo do guia “Marrakech”, lançado em 2014 e escrito em parceria com seu marido?

Tenho vontade sim... quem sabe mais para frente!

 

Quais são os perfis de Instagram e séries do Netflix que te fazem rolar a timeline sem perceber o tempo passar ou querer emendar um episódio no outro?

No momento estou assistindo Billions, enquanto a última temporada de Homeland (meu favorito) não chega no Brasil. E Instagram... são tantos!

 

 Se você pudesse fazer três desejos para se realizarem em 2017, quais seriam?

Lançar uma marca de roupinhas de criança, engravidar do segundo filho, e que tal abrir uma terceira loja física do Gallerist?

 

“Numa era de excesso de dados, a curadoria – um serviço que leva ao público o que é interessante, significativo e que vale o tempo gasto – é uma forma de criação de crescente urgência e importância.” (Maria Popova)

 

 

 
 
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